ENTREVISTA DE LUIZINHO AO POTIGUAR NOTÍCIAS

O espaço “No Alpendre do Potigiar Notícias” recebe essa semana o ex-prefeito de Macaíba (1997-2000), Luiz Gonzaga Soares. Natural de Macaíba, onde preside o diretório municipal do PSB, casado e pai de cinco filhos, Luizinho, como é mais conhecido, é formado em Direito e é servidor do Ministério da Saúde. Há dois meses exerce o cargo de secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas). Confira a entrevista concedida aos jornalistas Cefas Carvalho e Roberto Lucena:

Cefas Carvalho: Qual a diferença entre a Macaíba de hoje e a da época em que o senhor foi prefeito?
Nos últimos tempos, Macaíba teve uma evolução muito grande do ponto de vista econômico. Mas do ponto de vista administrativo deixa muito a desejar. Aí eu incluo a parte de cultura, a geração de empregos. A renda tem, mas o emprego para o macaibense está difícil porque as pessoas, durante esses oito anos, não tiveram a capacitação adequada para atender a demanda que as empresas sediadas em Macaíba exigem. Para se ter uma idéia da grande diferença, até o ano 2000, Macaíba arrecadava por mês R$ 700 mil, somando todos os índices de arrecadação. Para você ter uma idéia, em janeiro deste ano, Macaíba arrecadou, só de ICMS, quase R$ 3 milhões. Somando as demais arrecadações, Macaíba recebe quase R$ 10 milhões. Então, Macaíba era para estar muito mais desenvolvida, evoluída, haja vista o crescimento na arrecadação.

Roberto Lucena: A cidade não evoluiu juntamente com esses números?
Não evoluiu. Basta que a gente verifique isso.

Roberto Lucena: O que impediu esse crescimento?
As pessoas que estão na prefeitura não têm raízes locais. Falta patriotismo municipal para que isso venha a acontecer.

Cefas Carvalho: Qual sua avaliação sobre a gestão Marília Dias?
Até o presente momento, a administração da prefeita Marília Dias não mostrou para que veio ainda. A gente não percebe, no município, nenhuma obra, nenhum benefício que ela dissesse: "eu estou aqui enquanto prefeita". Não verificamos ainda nenhum benefício para a cidade trazido nesses dez meses de administração Marília Dias.

Cefas Carvalho: Como observador político de Macaíba, o senhor acredita na ruptura da ligação de Marília com seu padrinho político, o ex-prefeito Fernando Cunha Lima?
Talvez eu não seja a melhor pessoa para responder a essa pergunta, mas acho muito difícil acontecer essa ruptura política, até pela questão familiar que existe entre Fernando e Marília. Marília é cunhada de um irmão de Fernando, Sérgio. Conseqüentemente a irmã de Marília é cunhada de Fernando. Então, eu acho muito difícil existir a ruptura por causa da questão familiar.

Roberto Lucena: O senhor acha que o ex-prefeito continua dando as cartas na prefeitura?
Muitos secretários da era Fernando Cunha Lima continuam na gestão de Marília. Conseqüentemente ainda há essa relação entre eles. Se o irmão de Fernando é secretário de Marília, então há uma relação muito próxima, não é verdade?

Roberto Lucena: Podemos dizer, então, que será complicado Macaíba dar um salto de crescimento se a administração continua a mesma de oito anos?
Veja bem: a cidade não cresceu em oito anos em relação ao que a administração não fez. O crescimento dela se deu ao trabalho que foi feito anteriormente. Por exemplo, o Centro Industrial de Macaíba, que hoje tem aproximadamente 64 empresas, não surgiu por acaso. Surgiu porque há 14 anos se implantou aquele Centro. E os frutos estão chegando agora. Eu pergunto a vocês: imagine se Macaíba não tivesse aquele parque industrial, como é que estaria o município hoje em termos econômicos? Estava igual a maioria dos municípios brasileiros. Mas, no entanto, em Macaíba não se fala em crise porque lá tem um suporte econômico muito forte. O parque industrial surgiu há 14 anos, quando eu estava na prefeitura, e os frutos desse trabalho surgiram agora. Então você imagine, se Macaíba não tivesse o que ela tem hoje, plantada há tempos atrás, como estava? Estava igual aos municípios 0.6 que só têm praticamente o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). A nossa grande preocupação em Macaíba é a seguinte: daqui a dez anos, como é que estará o nosso município? Não foi plantando nada para que no futuro ele tenha um progresso.

Cefas Carvalho: Quais são seus planos políticos, tanto para 2010 como 2012? É possível uma nova candidatura a prefeito?
Quando eu estudava Biologia, aprendi assim: nos seres vivos, nem sempre, nem nunca. Depois eu fui fazer Direito e aprendi que no meio jurídico também nem sempre, nem nunca. Cada caso é um caso, como cada ser vivo é um ser vivo. E na política também é assim: nem sempre e nem nunca. Eu continuo trabalhando em Macaíba, moro lá, vivo lá, fazendo o meu trabalho na área social, na área jurídica, de saúde pública, em todos os seguimentos. E se um dia, lá na campanha de 2012, as pessoas do município acharem que eu deva ser de novo candidato, estarei pronto. Também se acharem que não deva ser, não tem problema nenhum. A gente vota num candidato que seja do nosso bloco político. Mas se eu for convocado novamente pela população, estou com a bandeira de Macaíba em punho para enfrentar uma nova campanha. Agora para 2010 eu sou ligado a governadora Wilma, presido o PSB em Macaíba, e voto nos candidatos ligados ao nosso partido. Estou aguardando a definição da governadora para saber qual caminho seguir politicamente. Podem perguntar se eu só faço o que a governadora quiser? Não. A gente trabalha em conjunto. Ela já me apoiou duas vezes e eu tenho que a ouvir, pois ela é a nossa líder maior no Estado. Seguirei os rumos do partido, seguirei a indicação dela.

Roberto Lucena: Na sua opinião, qual será o candidato a governador do grupo ligado a governadora?
O grupo político da governadora no Estado é muito grande. Existem diversos nomes dos mais altos potenciais. Estamos vivendo um ano pré-eleitoral. As convenções só acontecem em junho e daqui prá lá eu tenho certeza que este grupo político encontrará a solução e se tenha aquele candidato que a população indicar.

Roberto Lucena: O senhor tem alguma preferência?
Todo mundo tem um preferencial pessoal, mas como disse, quero primeiro ouvir a governadora Wilma para tomar essa decisão.

Roberto Lucena: Já que estamos falando de eleição, queria lembrar um pouco a campanha de 2008. Qual foi o fator definitivo que resultou na sua derrota ano passado?
Não é um fator só. São vários fatores que levam você perder uma eleição. Dentre esses fatores - não vamos ser hipócritas - o que mais marca é o fator econômico. Nós fizemos um trabalho de conscientização, mostrando a realidade de Macaíba, mas infelizmente a gente não teve uma estrutura grande como o outro lado teve. Você há de convir que as ações do município são imediatas. O município resolve na hora. Infelizmente, a gente vive numa cidade em que as pessoas ainda são muito carentes e infelizmente algumas delas querem o imediatismo. Nós fomos um grupo político muito grande na campanha, formamos um grupo de 14 partidos. Isso deu um suporte muito grande. Fizemos um campanha limpa, bonita, de conscientização, mostrando a realidade de Macaíba, mas infelizmente não obtivemos êxito. Mas isso não quer dizer que a gente possa baixar a cabeça. Absolutamente. A gente continua de cabeça erguida, ouvindo as pessoas e aproveito o momento para agradecer o apoio da população em nossa campanha em 2008.

Cefas Carvalho: Como resolver os problemas da Região Metropolitana? Entre eles o transporte urbano, lixo, violência...
Há poucos dias a governadora Wilma, através de um convênio, municipalizou o trânsito em Macaíba. Evidente que o trânsito, sendo municipal, quem está lá trabalhando sabe quais são os objetivos. Com relação à segurança, isso é uma situação generalizada e não é fruto de hoje. A segurança compete ao Estado mas cabe a nós melhorar a situação. Vou dizer sempre: se as pessoas não tiverem educação na base, não se melhora a segurança pública, nem a saúde. Tudo é questão de educação. Se melhorarmos a educação, tudo melhora. Mas isso demanda tempo, não é do dia para a noite.

Roberto Lucena: Como está a atuação da Câmara Municipal de Macaíba?
De uma forma geral, a situação tem a maioria na Câmara e creio que cada vereador tem sua mente formada, como deve seguir ou não, mas acredito que aqueles projetos que são em benefício da população estão sendo aprovados. E aqueles que não são, caso haja algum, cada um toma sua decisão. O partido orienta, mas cada vereador tem o voto pessoal.

Roberto Lucena: Quatro vereadores da sua coligação foram eleitos, ou seja, eram oposição. Depois de dez meses, há oposição na Câmara Municipal?
A grosso modo, não existe oposição em Macaíba. Do ponto de vista da Câmara, não se percebe oposição. Eu continuo na oposição em relação a administração Marília Dias.

Cefas Carvalho: Surgiu um boato que o senhor poderia estar se aliando a Marília.
Isso é só boato. O que aconteceu foi que saiu num jornal uma fotografia minha, de Wilma e da prefeita Marília. Algumas pessoas acharam que foi uma reunião que teve entre ela, eu e Wilma, mas não é verdade. Aquela foto foi feita individualmente, são até fotos antigas. Não há, do ponto de vista municipal, uma aliança entre o nosso bloco político e o de Marília. Quero deixar bem claro isso.

Fonte: Potiguar Notícias
Publicado pelo blog de macaiba.