De acordo com informações do Sindicato das Empresas de Transporte do Rio Grande do Norte (Setrans), hoje apenas sete empresas atendem aos dez municípios da Região Metropolitana de Natal – esse número já foi de 12. As empresas em atividade são: Oceano (que atende Extremoz e Ceará-Mirim), Trampolim da Vitória (faz as linhas Parnamirim, São Gonçalo e Macaíba), Cidade das Dunas (Ceará-Mirim e Nova Parnamirim), Via Sul (Nova Parnamirim) e Riograndense (Monte Alegre e São Gonçalo do Amarante).
TRIBUNA DO NORTE: Os usuários reclamam da pouca quantidade de ônibus se comparada a demanda. Em Macaíba, por exemplo, só uma empresa atende a população. Como é feita a escolha dessas empresas e a definição das linhas/itinerários?
MARISTELA LOPES DE SOUZA - DIRETORA DO DERS: Atualmente, encontra-se em fase de ajuste final, através de consultoria contratada por meio de processo licitatório, os estudos para implantação de uma nova rede de transporte intermunicipal de passageiros, que tem como respaldo as diretrizes do Plano Diretor de Transportes da RMN. Esse plano buscou identificar, em sua fase de diagnóstico, todas as carências do atual sistema de transporte coletivo intermunicipal. Entre os aspectos abordados no diagnóstico, estão inseridos os estudos de oferta e demanda. Com relação a Macaíba, além de uma empresa, existem mais sete operadoras do transporte opcional que complementam a oferta de transporte nesse município.
Conferindo a qualidade do transporte
Na última semana, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE, utilizou o serviço de transporte público da Região Metropolitana de Natal para ‘sentir, na pele’, as dificuldades pelas quais passam os usuários. No primeiro dia 25.06), a viagem foi feita de Macaíba a Natal, no turno da manhã. No segundo dia (26.05), o itinerário escolhido foi de Natal a Ceará-Mirim, no horário da volta para casa. E nos dois percursos sobraram problemas.
Macaíba/Natal - 25.05.2010
Nas primeiras viagens do dia, os ônibus já saem cheios do terminal. Sobram poucos lugares para os passageiros que vão subir nas paradas seguintes. “Nos horários que a gente mais precisa, de manhã e a noite, os carros de Macaíba só circulam lotados. São 45 minutos de viagem, na maioria das vezes, em pé.”, reclama o ASG Francisco Souza, que mora em Macaíba, mas trabalha em Natal e diariamente utiliza a Linha M (Macaíba/Natal/Via BR-101 Midway), da empresa Trampolim.
Para utilizar a Linha M, o ASG paga R$2,80 por viagem. Valor que ele considera alto. “Eu acho bastante caro, principalmente porque não atende todo o meu itinerário. Eu desço no Midway e ainda tenho que andar 150 metros a pé até o meu trabalho ou pagar mais R$2,00 para pegar outro ônibus. O que era caro, fica um absurdo, gasto R$4,80 só para ir ao trabalho e ainda tem a volta”, diz Francisco de Assis.
As reclamações não param por aí. Para a cabeleireira Michele Xavier Ricardo – que utiliza a Linha G (Macaíba/Natal/Via BR226) – pior do que andar no veículo lotado e pagar o preço maior do que deveria (R$2,65), é a longa espera pelo ônibus. Segundo ela, a demora é maior a noite e nos finais de semana.
“Eu já cheguei a esperar até duas horas pelo ônibus no final de semana. A gente tem que acordar mais cedo para não chegar tarde nos compromissos. Isso é falta de respeito com os usuários”, reclamou a cabeleireira.
A equipe da TRIBUNA DO NORTE percorreu todo o itinerário da Linha G e durante a viagem, que durou 1h26 minutos, os usuários não pararam de reclamar. Em algum lugar do ônibus, que estava lotado, um casal de amigos reclamava da falta de segurança, do preço da passagem e da lotação.
Fonte: tribuna do norte