>> MORADORES RECLAMAM DO ABANDONO

Lixo a céu aberto, ruas sem pavimentação, escuridão por toda parte, escorpiões e cobras escondidos no mato. Os loteamentos Brasil, Porto Brasil e Bosque Brasil, situados às margens da Estrada de Japecanga, em Macaíba, nem parecem estar localizados a poucos quilômetros de uma capital de Estado que pretende sediar uma Copa do Mundo. Os moradores reclamam da ausência dos serviços públicos mais básicos, inclusive o policiamento. O secretário municipal de Infraestrutura, Rawplácido Saraiva Maia, afirmou nunca ter recebido queixas sobre os problemas e comprometeu-se a enviar uma equipe para verificar a situação e tomar providências.

Os três loteamentos são contíguos e têm, juntos, cerca de 2 mil lotes. “Cada morador joga o lixo num lugar diferente, porque os caminhões simplesmente não passam por aqui. Há vários pontos de acúmulo de lixo perto da mata, e alguns preferem queimar os resíduos. Pagamos IPTU para Macaíba, mas o Município não faz nada aqui”, queixa-se o encarregado de turma Paulo Henrique da Silva Albuquerque, 40 anos. Segundo ele, também não existe iluminação pública em boa parte das ruas dos condomínios, apesar das taxas pagas à Prefeitura de Macaíba. “Nem todas as ruas têm postes, e nem todos os postes têm lâmpadas”, reclama Paulo. Ele diz que o atendimento de saúde mais próximo é feito no posto de Jardim América, na vizinha Parnamirim.

O único transporte público disponível é uma linha de alternativo, que passa sem horários fixos e conduz os passageiros até o bairro de Emaús, em Parnamirim. “Quem tem que sair cedo precisa andar até o Centro de Treinamento do América, a uns quatro quilômetros daqui, porque o alternativo não passa de manhãzinha. Para ir a Macaíba, não existe transporte”, acrescenta o encarregado. Todo dia, ele ou sua esposa precisa andar 40 minutos para pegar o filho numa creche no Vale do Sol. “Tem um ônibus da prefeitura que leva e traz as crianças e os pais, mas só vai e volta uma vez. Ou a gente espera a manhã toda lá, ou pega a estrada andando”, continua.

Outro problema que tira o sono da população dos loteamentos é a falta de pavimentação nas ruas, todas elas ainda em barro. “Quando chove, as ruas empoçam e ficam cheias de buracos. Como o mato cresce e ninguém corta, aparecem escorpiões, lacraias, cobras e todo tipo de inseto”, acrescenta a dona de casa Mackielle Araújo Chaves, 33 anos, mulher de Paulo. Policiamento? Só se o batalhão de Parnamirim for acionado. “Não passa um carro da polícia aqui”, garante. De acordo com o casal, a escola pública mais próxima fica no centro de Parnamirim.

Moradora do loteamento há quatro anos, Alzeneide Ferreira da Silva informa que os lotes têm em média 200 m2 e custam em torno de R$ 17 mil. “A promessa era que teríamos iluminação em todas as ruas, mas isso não existe. A água encanada, pelo menos, chega sem problemas”, diz. Um pintor que prefere não se identificar diz que a falta de pavimentação nas ruas prejudica a mobilidade dos moradores. “O alternativo só vai até à entrada, por causa das ruas esburacadas. Precisamos urgentemente que a prefeitura de Macaíba nos dê atenção”, apela. Para se dirigir ao centro de Natal, ele precisa gastar R$ 3,60 só com a ida. “Pago R$ 1,50 até Emaús e de lá mais R$ 2,10”, lamenta, mostrando o boleto do IPTU que paga à prefeitura.

Secretário vai enviar equipe à comunidade

“Oficialmente, nunca recebi nenhuma queixa sobre esses problemas. Vou mandar uma equipe ao local para checar a situação, inclusive com pessoas da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo. Temos todo interesse em resolver essas questões”, responde o secretário de Infraestrutura de Macaíba, Rawplácido Saraiva Maia.

De acordo com ele, é comum que áreas situadas em divisas de municípios apresentem esse tipo de problema, pois, devido à distância da sede principal, a população não costuma informar as autoridades sobre os problemas. “Nessas áreas, também é comum que as pessoas paguem as taxas para outros municípios próximos. Precisamos de muito trabalho para regularizar isso”, destaca.

Outro ponto levantado pelo secretário é a falta de infraestrutura comum a muitos loteamentos antigos, como no município de Macaíba. “Temos uma lei recente, de 2008 ou 2009, que obriga as imobiliárias a providenciarem pavimentação, água e energia como parte da obra. Do contrário, a licença não é dada. Mas os projetos antigos não tinham nada disso. É um problema que o município herda”.

Rawplácido recomenda que os moradores se organizem em conselhos comunitários, para facilitar a interlocução com o poder público.

Fonte: tribuna do norte