As instalações da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), em Macaíba, homenageou dois novos nomes. Na manhã de ontem, o reformado complexo poliesportivo passou a se chamar Professor Juvenal Lamartine Neto e a nova Coordenação de Pós-Graduação é agora chamada de Pesquisador Octávio Lamartine de Faria. Dois nomes que fizeram história para a evolução das ciências agrárias no Rio Grande do Norte em um tempo onde ainda não havia investimentos nem interesse pela área.Octávio Lamartine de Faria foi o primeiro engenheiro agrônomo a vir com essa formação para o RN. Nascido em 16 de junho de 1903, no município de Acari, e assassinado em 13 de fevereiro de 1936 na mesma fazenda onde nascera, o pesquisador se tornou agrônomo pela Escola Agrícola de Lavra de Minas Gerais. Aluno laureado, ganhou como prêmio uma especialização na Universidade de Georgia, Estados Unidos, onde se especializou também em algodão de fibra longa no Arizona, Texas. Criador da Estação Experimental de Cruzeta, Octávio Lamartine dirigiu o Campo de Bulhões, em Acari e foi diretor do Serviço de Algodão do RN, na gestão de seu pai, Juvenal Lamartine.
Recebeu a homenagem pela dedicação às ciências agrárias demonstrada durante toda sua vida profissional. Familiares e amigos estiveram presentes na homenagem e o descerramento da placa que simboliza a inauguração da Coordenação foi feito por Jurema Lamartine e Peri Lamartine, filha e primo do homenageado. “Octávio foi um homem extraordinário e o que se destacava nele, era sua vivacidade. Até aviador ele foi”, disse Peri Lamartine.
A filha, emocionada, agradeceu a homenagem. “Eu estou muito grata que, depois de tantos anos, ele receba essa homenagem, que é mais do que justa. Eu ainda era muito nova quando meu pai foi assassinado, mas sempre escuto falar dele pelo Seridó”, disse Jurema Lamartine. O sobrinho-neto Marcelo Paiva contou que não chegou a conhecer Octávio, mas sabe que ele tinha o sonho de ser um homem do campo.
O professor e ex-diretor da Escola, Juvenal Lamartine Neto, de 77 anos, também se disse emocionado. “Me sinto muito gratificado em receber essa homenagem porque vivi grande parte da minha vida aqui dentro. A época em que eu assumi a direção (entre as décadas de 60 e 70) era de sofrimento e luta. Eu me lembro que eu ia para o Rio de Janeiro com passagem comprada do meu próprio bolso e a energia era de um gerador que só funcionava das 17h30 às 22h. Quando eu chegava em casa preocupado, minha mãe perguntava porque eu tinha aceitado isso e eu dizia sempre que iríamos resolver”, relembrou o professor.
Mas, acima da gratificação pelo reconhecimento, Juvenal Lamartine Neto se disse satisfeito pela evolução da Escola. “Minha maior preocupação era com os alunos, que tínhamos que manter alimentados e com boa base de ensino. Mas, apesar da pobreza da escola, eu não me lembro de nenhum aluno que não tenha se destacado no campo profissional. Hoje, estamos ganhando cursos, pesquisas e eu espero que a estrutura aumente ainda mais”, comentou.
Pró-reitora fala sobre a atuação dos homenageados
Para a pró-reitora de pós-graduação da UFRN, Edna Maria da Silva, a homenagem vai além dos nomes escritos na placa de inauguração, significa a materialização de um reconhecimento que já existia na memória de cada um. “A placa é muito pequena para a grandiosidade da vida e obra dos homenageados. Estamos falando de pessoas que não deram só o nome, mas também suor e lágrima para construir esse espaço”, disse. Segundo Júlio César, a homenagem é mais do que justa. “É um reconhecimento pelos anos de trabalho e investimento nessa área e escola, que está evoluindo e vai melhorar ainda mais”, disse.
Durante a inauguração dos dois novos empreendimentos da Escola, o professor da Pós-Graduação encerrou o discurso compartilhando a seguinte certeza: “Em nossa compreensão, Otávio Lamartine continua vivo porque quem investe em conhecimento nunca passa. O ontem, o hoje e o amanhã se confundem”.
EAJ
Vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e à Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), a EAJ oferece cursos técnicos de agropecuária, informática e agronomia, cursos e graduação de zootecnia e engenharia florestal, além do ensino médio. A pós-graduação existe desde abril deste ano, mas só agora o curso de Mestrado em Produção Animal está com a estrutura da coordenação e as salas de aula pronta para os 16 alunos da primeira turma.
O ginásio esportivo traz como novidade a prática do vôlei de praia, não só para os alunos, mas para toda a comunidade. Dos 1100 alunos de ensino técnico, nível médio e graduação, 250 são internos, ou seja, moram na Escola. “Eles são os maiores usuários do espaço que serve para basquete, vôlei, handball, futebol de salão e outros esportes de quadra. Mas o espaço está aberto para a comunidade também”, disse o o diretor da Escola, Júlio César Andrade.
Fonte: tribuna do norte