>> PARA COMERCIANTES, CIDADE É TRANQUILA

Homicídios, sequestros, assaltos, nada disso faz com que a maioria da população de Macaíba sinta que a onda de violência chegou ao município. Os moradores têm presenciado nos últimos meses crimes da "capital", na cidade que integra a região metropolitana, mas ainda não demonstram a sensação de insegurança vivida pela população de Natal. Macaíba teve crimes que ganharam repercusão na imprensa local. Pelo menos dois homicídios com características de execução, que reultaram na morte de sete pessoas, dois sequestros e dois assaltos com reféns.

O pensamento de parte dos moradores da cidade se equivale ao de Paulo César. Ele é gerente do Mercadinho do Índio, que na última quinta-feira, teve três dos seus oitos funcionários feitos de reféns durante uma perseguição da Polícia Militar a quatro homens que assaltaram uma empresa de água mineral. "É lógico que em todo canto precisa melhorar o policiamento, mas aqui é tranquilo isso foi só uma fatalidade. Em dois anos que estamos aqui já teve aqueles pequenos furtos, mas resolvemos logo", declarou Paulo sobre o tumulto no estabelecimento comercial.

Joice Lorena, que trabalha como vendedora em uma loja vizinha ao mercadinho, acredita que os assaltos são fruto da vulnerabilidade comum aos comércios, que durante todo dia ficam expostos a todas as pessoas. "Eu moro no centro da cidade e minha rua é muito calma. Tenho um pouco de preocupação apenas no ambiente de trabalho devido ao movimento",opinou.

Morando e trabalhando em Macaíba há pouco mais de dois meses, Rivai Walderia do Santos, está surpreso com a quantidade de ocorrências graves na cidade. A padaria onde trabalha nunca foi assaltada,embora seja do seu conhecimento que pontos comerciais próximos passaram por roubos e furtos. "Continuo saindo a mesma hora e a padaria só fecha às 21h", reforçou ele, que não mudou a rotina em razão dos crimes.

Já José Júnior prefere não arriscar se os últimos acontecimentos policiais de Macaíba são coincidênciaou um real aumento da criminalidade. "A insegurança está aumentando. O que tenho visto nunca acontecia aqui".

Redução

A 1ª companhia do 11º Batalhão da Polícia Militar é responsável pelo policiamento de Macaíba. Segundo o tenente Calistrato Custódio Valcácio, o número de ocorrências na cidade tem diminuído consideravelmente, sendo os últimos crimes tidos como fatalidades.

No centro de Macaíba são duas viaturas de patrulhamento e uma do Grupo Tático de Operações e mais duas em áreas rurais. Cada carro se desloca com no mínimo dois policiais, entretanto, o tenente não soube precisa o efetivo total destinado à cidade.

CABO HERONIDES

"Em Macaíba existem 16 policiais escalados por dia, distribuídos em viaturas e postos fixos, divididos em 4 equipes. Totalizando 64 policiais pertencentes ao nosso município. O ideal seria no mínimo 100 policiais para o município distribuídos em quatro equipes de 25, atuando de forma preventiva e realizando operações de abordagem durante o dia e a noite como forma de diminuir o número de violência referentes ao município, dando uma maior segurança a toda nossa sociedade".

>> Outros crimes que assustaram Macaíba

Chineses

Há pouco mais de seis meses, em uma estrada carroçável de Macaíba, na manhã do dia 7 de fevereiro deste ano, Zhon Maozhen, 36 anos, e Jin Wanghai, 39, donos da loja Gold Sol; e Lixiong Lin, 36, e Zhang Hayan, 38, proprietários da JMF Variedades, ambas no Alecrim, foram encontrados mortos a tiros em frente à caminhonete Toyota Hilux prata, placas NNP-8866, de um dos casais. Eles teriam desaparecido três dias antes, segundo a polícia, após marcarem um encontro para uma transação comercial. O caso ainda não foi solucionado pela polícia.

Sequestro de filha de vereadora

Janiere Oliveira Pereira Ferreira, 27 anos, filha da vereadora de Macaíba, Rita de Cássia de Oliveira Pereira, passou mais de duas horas em posse de um sequestrador. Ela foi abordada pelo bandido, após deixar a mãe na sede da Prefeitura de Macaíba.Em depoimento, a jovem contou que um rapaz se aproximou dela quando ela voltava para o carro, depois de ter ido pagar uma conta em uma casa lotérica.

Sequestro de bancária

Uma funcionária da agência do Banco do Brasil de Macaíba foi sequestrada na manhã do dia 7 de julho. Segundo informações da polícia, a mulher, que teve seu nome preservado, foi sequestrada pelo vigilante Roberto Teixeira dos Santos, 42 anos, quando chegava ao trabalho. Ele manteve a bancária em um apartamento de um motel em Neópolis e na saída foi pego pela polícia. A PM suspeita que Roberto também seja o responsável pelo sequestro de Janiere Oliveira Ferreira.

Morte vigilante

Horas antes do triplo homicídio em Macaíba (retratado na matéria principal desta página), em um viveiro de camarão chamado "Granja do Japonês", Antônio Jailson foi morto por assaltantes que fizeram de refém a família do caseiro Emanoel Souza de França, 23, responsável pela manutenção do local. Os assaltantes escutaram um assobio e foram até onde Antônio,que trabalhava como vigilante em um viveiro vizinho, estava. Chegando ao local, pediram a arma do vigilante e atiraram nele, que morreu na hora.

Assalto com refém

No final da tarde, após quatro homicídios, uma perseguição pela BR-304, que terminou no centro da cidade, quando policiais prenderam quatro homens que teriam assaltado a distribuidora de água mineral Cristalina, invadido uma fábrica de perfumes e feito reféns em um supermercado. Os presos foram identificados como Paulo Manoel Gomes, de 34 anos (baleado), Gustavo Gomes de Lima, 24, Samoel Fernandes de Moura, 23, e Darlynton Rangel dos Santos Cabral, 23.

Fonte: Diário de Natal